Domingo, 18 de Fevereiro de 2007

Crítica à Escrita Queirosiana

     Desde a publicação do 1º livro de Eça de Queirós, “O Mistério da Estrada de Sintra” (1870), que a escrita de Eça tem sido alvo das mais variadas críticas, o interessante é constatar que estas evoluíram no sentido positivo com o passar dos tempos.
     As críticas de "Os Maias" são disso um grande exemplo: "É o trabalho torturante, desconexo e difícil de um homem de génio que se perdeu num assunto e leva 900 páginas a encontrar-lhe saída" palavras de Fialho de Almeida (sempre tido como um grande opositor, criticando Eça mesmo depois da morte, tendo ido ao funeral deste de gravata vermelha). O escritor responde à crítica, acusando-o de ser um moço de recados do Estado. Na mesma época é também dito que no romance não há nada menos que seis mulheres "com peito de rola farta", pela máquina de escrever do jornalista Guiomar Torresão.
     No entanto, na altura já havia alguns críticos a aperceberem-se do valor literário de "Os Maias": "quadros e mais quadros, mas onde raramente aparece o drama", de Mariano Pina, que acrescenta que só passados 50 anos se poderia julgar e classificar a obra.
     Os anos foram passando, e apenas quando Eça já tinha como residência permanente o estrangeiro é que ele e a sua obra ficaram famosos.
     Após a morte o seu reportório atingiu o patamar de clássico da literatura para a maioria dos estudiosos. Mas é preciso lembrar-nos do regime ditatorial em que Portugal viveu durante grande parte do século XX, o regime Salazarista, não obstante a sua profunda ligação com o clero - que tinha uma opinião muito desfavorável sobre a obra de Eça, que abordava temas como a violação do celibato (um padre não pode ter relações sexuais), incesto (relação sexual entre irmãos), adultério (quando um dos membros de um casal tem uma relação extra-conjugal), entre outros - assim o regime, não podendo ignorar o estatuto de clássico, decide não impedir a leitura das obras de Eça mas sim utilizá-las como uma forma de prevenção, associando estes termos com o pecado.
     Com a revolução de Abril, Eça continua a ser conhecido e apreciado, a ponto de se tornar um dos autores de estudo obrigatório no Ensino Secundário.
     Nos nossos tempos as críticas divergem, os mais jovens consideram uma perda de tempo (diz em 600 o que poderia muito bem dizer em 150), os mais maduros referem o seu contributo para a língua portuguesa. De qualquer das maneiras, hoje em dia Eça é um grande escritor, sendo considerado um revolucionador da língua: modernizou-a (transformou o português barroco no que conhecemos actualmente) e sempre lutou contra a sua “ferrugem”.
sinto-me:
publicado por Martini às 22:59
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