Segunda-feira, 5 de Março de 2007

“Os Maias – Episódios da Vida Romântica”

Aquando da publicação de “Os Maias”, Eça de Queirós enviou várias cartas ao seu editor realçando a importância do subtítulo “Episódios da Vida Romântica”. Em Outubro de 18871 envia uma carta de Bristol onde escreve: «Je n' ai pas eu le temps de vous l' écrire et j' éspère que vous n' avez pas encore commencé à faire brocher le Ier volume. D' abord je voudrai voir une épreuve de la capa - surtout parce que le roman a un sous-titre qui doit paraître dans la coverture.» (Eu não tenho tido tempo de vos escrever e espero que não haveis começado a fazer a brochura do 1º volume. Quero ver um exemplar da capa – sobretudo porque o romance tem um subtítulo que deve aparecer na capa). E noutras duas cartas de Dezembro de 1887 e Abril de 1888 insiste: «Il ne faut pas oblier que le roman a un sous-titre - episódios da vida romântica.» (Não se pode esquecer que o romance tem um subtítulo – episódios da vida romântica)

Porque razão Eça deu tanta importância a este subtítulo?

Eça quereria porventura, realçar o facto de este romance caracterizar a sociedade portuguesa da época. Para isso, usará um sem-número de figurantes (que podem ver em “Caracterização das Personagens”) e alguns episódios típicos da vida portuguesa. Nesses episódios, Eça leva as suas personagens a interagir com personagens-tipo que personalizam determinadas áreas, estratos, profissões, da sociedade de Portugal na 2ª metade do séc. XIX.

Pelo facto de ter vivido longos tempos londe de Portugal, por razões profissionais, Eça de Queirós, era capaz de olhar para o seu país de forma objectiva, e por vezes até impiedosa, e considerava a sociedade portuguesa ridícula, decadente e muito distante da civilização europeia que conhecera nas suas viagens. Todos os aspectos são focados em “Os Maias”: Arquitectura e Decoração (das casas, edifícios, antiquada), Cultura (todos os movimentos e eventos culturais retrógrados), Economia (o atraso da nossa economia e a pobreza), Política (desordenada, rendida aos inúteis e sem ideias, corrupta), História (o fim da ditadura, o liberalismo), Geografia (retrato de um Portugal demasiado centrado em Lisboa, João da Ega chega a dizer “Lisboa é Portugal”), e o Social (o dia-a-dia da alta burguesia portuguesa, demasiado passiva, pachorrenta e limitada).

Eça também critica o facto de Portugal importar tudo, desde as ideias, aos trajes, às políticas, à arquitectura pois os criadores do país limitam-se a imitar as tendências de França e Inglaterra.

Contudo, Eça criticava Portugal por um motivo muito importante segundo Jacinto Prado Coelho "mais analista social do que psicólogo (...) ironizou Portugal porque muito o amava e o queria melhor".

Fontes:

MARQUES Ana Cláudia, GONÇALVES Ana Cristina, FERNANDES Maria, Literatura – Eça de Queirós, Acedido em 5 de Março de 2007, Centro de Investigação para Tecnologias Interactivas, http://www.citi.pt/cultura/literatura/romance/eca_queiroz/index.html

MOURA Helena Cidade, Nota Importante, Acedido em 5 de Março de 2007, http://faroldasletras.no.sapo.pt/os_maias.htm#nota_importante

ALVES, Filomena Martins e MOURA, Graça Bernardino, Página Seguinte – Português B 11º Ano, Texto Editora, 2004

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publicado por Martini às 02:45
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